Coronavírus desafia a saúde mental

Coronavírus desafia a saúde mental

Com a avalanche de informações e emoções que envolvem o surto do novo coronavírus, manter-se sereno é um grande desafio

Com a avalanche de informações e emoções que envolvem o surto do novo coronavírus, ligadas à quarentena, incertezas, medo de contágio e crise econômica, manter-se sereno é um grande desafio. O isolamento social por prazo indeterminado junto com um turbilhão de notícias, grande parte negativas, acabam afetando o lado psicológico de muita gente.

Por isso, muitos especialistas alertam para os cuidados que as pessoas precisam ter com a saúde mental.Segundo o médico psiquiatra Judson da Costa Mauro, “toda situação nova com risco potencial de perdas da vida, saúde, entes queridos, agrega, ao menos, dois problemas emocionais”.

Ele aponta que o primeiro problema é a tentativa de compreender o novo, aquilo que não se sabe como enfrentar. E o segundo está ligado ao fator que desperta os sentimentos mais profundos, de fragilidade, medo e insegurança.“Cada um responde a essas questões de forma individual para se proteger.

Algumas pessoas ficam superativas, outras ficam prostradas porque pensam que não valeria a pena lutar. E tem o grupo intermediário, que espera entender melhor antes de tomar uma atitude”, explica Judson. Ele aponta que o momento atual é propício “para as pessoas colocarem em dia as relações que foram abaladas nos últimos tempos, a leitura que anda atrasada e o cuidado com a saúde.”

O estresse pode se manifestar de diversas formas como resposta do corpo. “O que a gente está vivenciando agora e a grande parte da população está passando é um estresse traumático. Tem gente que sente falta de ar, dor de estômago, dor de cabeça, diarreia, falta de sono e irritabilidade. Tem gente que escuta o nome do coronavírus e sai bem da situação, já outros não”, diz a psicóloga Renata Vidotte Vale.

Segundo Renata, cabe à família e a quem estiver próximo o papel de observar os sintomas das pessoas mais sensíveis ao cenário.“Tem que estar atento e conversar com as pessoas que apresentam um comportamento diferente do normal. Falar todos os dias, dar atenção e tentar ajudar, dando suporte”, completa.

Em casos mais graves, os médicos aconselham o atendimento de um psiquiatra ou psicólogo. “Às vezes, uma medicação pode auxiliar a pessoa sair desta situação melhor”, diz Judson.Segundo Renata, a psicologia está tentando entender e acompanhar o passo a passo da doença. “É uma situação traumática, pois houve um rompimento na realidade. Isso naturalmente vai criando um estado de pânico e medo.

Por isso, quem já está em tratamento continue e não abra mão. Já quem ainda não está, possivelmente terá um contato com essa angustia, pois estamos vivendo uma situação global, isso já é assustador, muito angustiante. Foge da realidade o fato das pessoas fazerem estoque de comida, álcool em gel e máscaras”, diz a psicóloga.

Segundo ela, o Conselho Federal de Psicologia e os conselhos tegionais têm acompanhado a situação e orientado os psicólogos no socorro à população. “Existem grupos de psicólogos se organizando para os atendimentos emergenciais.

Alguns oferecem atendimento em uma única sessão, outros em várias sessões, mas a meta é sempre dar suporte para o enfrentamento das angústias desencadeadas pela situação atual de crise”, ressalta Renata.Para ajudar a manter o equilíbrio, a psicóloga indica atividades diárias.

“Recomendo exercícios físicos, leituras leves, música, higiene da casa, filmes, tarefas com crianças e adolescentes, conversa com os amigos pela internet e jogos online e de tabuleiros, trazendo o lúdico para a realidade”, diz Renata, chamando a atenção para o volume constante de notícias. “Evite o consumo exagerado de informações porque isso só aumenta a angustia”, aponta Renata.

Atendimento virtual ajuda a amenizar o sofrimento

Coronavírus desafia a saúde mental

Para dar suporte às pessoas que não estão sabendo lidar com o isolamento por causa da Covid-19, e amenizar as crises de ansiedade e medo resultantes do confinamento, diversos grupos de psicólogos e psicanalistas estão formando redes solidárias de atendimento online e gratuito.

O site de aconselhamento terapêutico online “A Chave da Questão” publica uma série de vídeos para ajudar no lado emocional, além de oferecer escuta e solidariedade. O acolhimento conta com a participação de mais de 35 psicólogos que atendem pelo site http://www.achavedaquestao.com.br, Facebook (A Chave da Questão) e Instagram (@achavedaquestao).

Lá, além dos psicólogos, outros profissionais orientam e dão dicas não só de comportamento, mas também de alimentação e atividades físicas e lúdicas para aliviar o estresse.

Com cerca de 1 milhão de acessos em pouco mais de 72 horas, as redes sociais recebem aproximadamente 150 mensagens por minuto. Os interessados precisam fazer um cadastro simples pelo site para iniciar o atendimento. “Nossa missão é orientar as pessoas a atravessarem este momento de forma mais lúcida, mais acolhidos e mais orientados”, diz Fatima Marques, idealizadora e coordenadora do projeto no site A Chave da Questão.

Segundo ela, as maiores reclamações das pessoas são a respeito da ansiedade e do medo de serem contagiadas. “É importante lembrar as pessoas que elas estão voltando para casa, junto com a família. Devem tentar ficar em paz e mais calmas para ter um melhor diálogo, vendo os pontos positivos de estarem juntos”, diz Fatima.

Outro fator de grande destaque são as mães estarem mais estressadas devido ao excesso de exigências e aumento da demanda com o isolamento. “Muitas mães estão no seu limite e bem estressadas porque tem que trabalhar, cuidar da casa e dos filhos.

As escolas mandam as tarefas para se fazer com as crianças e a demanda é muito grande. Cada uma deve saber o seu limite e, se não conseguir dar conta, comunicar a escola para entrarem num acordo, pois tem que haver uma manifestação de uma das partes. E neste momento também as regras das crianças de subirem no sofá e ficarem no celular ou tablet precisam ser renegociadas e esclarecidas.

O importante agora é ter calma e todos entrarem num acordo”, enfatiza Fatima.Outra ação solidária disponível para todas as pessoas foi criada pelo Instituto Campineiro Flor de Cerejeira em parceira com o Instituto Entrelaços de Psicologia, do Rio de Janeiro, e outros institutos de todo o Brasil.

O projeto disponibiliza uma linha telefônica aberta para dar suporte e apoio emocional para quem precisar falar sobre a ameaça que sente diante de todas as mobilizações provocadas pela Covid-19.Quem ligar para o número (19) 99117-0990, das 10h às 22h, será atendido por um profissional especializado em crises, emergências, perdas e lutos.

“É uma ação pontual de resposta de emergência diante do cenário que estamos vivendo de epidemia e isolamento social. Esse grupo se propõe a fazer um acolhimento e oferecer suporte emocional para as pessoas que estão se desorganizando diante da necessidade de isolamento e diante de todos os medos que essa situação de epidemia nos causa. 

Vários institutos de psicologia do Brasil que já são especializados em perdas, lutos e crises se uniram ao Entrelaços para prestar esse suporte durante esse momento de isolamento social. Em Campinas e região, o instituto de psicologia Flor de Cerejeira é que vai coordenar essa ação e contará com cerca de 15 psicólogos de plantão especializados em perdas, lutos e crises”, conta a psicóloga Ivana Tolotti, cofundadora do Flor de Cerejeira. 

O objetivo da linha de suporte de apoio emocional será de ajudar as pessoas neste momento de isolamento social. “Trabalhamos em esquema de plantão com técnicas específicas visando ajudar quem está precisando.

O atendimento será feito por telefone pelo profissional que também está em isolamento social.Esse tipo de conexão por telefone ajuda também as pessoas que não sabem lidar com a tecnologia e que sentem a necessidade de manter este contato”, ressalta Ivana.

O valor do telefone fixo é o de uma ligação para o celular. Nos atendimentos, foi constatado um aumento dos níveis de ansiedade, depressão e medo diante do que não se conhece.“O que a gente observa é que tem um número muito grande de pessoas em sofrimento e isso tende a piorar devido a situação financeira também.

Diante disso, vamos estender as ligações durante todo o mês de abril”, diz Ivana.SERVIÇOSOS – Linha aberta para suporte e apoio emocionalHorário: das 10h às 22hTelefone: (19) 99117-0990

Fonte: Correio.rac

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