Região de Campinas ultrapassa marca de 10 mil vidas perdidas para Covid-19 e infectologista alerta: ‘Erros graves até hoje’

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Região de Campinas ultrapassa marca de 10 mil vidas perdidas para Covid-19 e infectologista alerta: 'Erros graves até hoje'

 

FONTE: G1 CAMPINAS

Levantamento considera dados dos 31 municípios da área de cobertura do G1 Campinas. Metrópole reúne 38% do total de mortes registradas desde o início da pandemia.

A região de Campinas (SP) ultrapassou a marca de 10 mil vidas perdidas para a Covid-19, na tarde desta terça-feira (6), após divulgar pelo menos 1 mil mortes em 22 dias, o terceiro menor tempo para este número desde o início da pandemia. No período, os casos subiram 11,3% e chegam a 338,7 mil.

Até 18h40, as prefeituras das 31 cidades da área de cobertura do G1 Campinas confirmaram 10.049 óbitos decorrentes da doença, e 339.421 moradores infectados. Os registros ocorrem em meio às regras da fase de transição do Plano SP sobre atividades econômicas na crise sanitária.

Campinas divulgou 3.818 mortes por Covid-19 até esta publicação, o equivalente a 38% do total. A cidade confirmou a primeira morte provocada pela enfermidade em 30 de março de 2020.

Depois da metrópole, os outros quatro municípios mais populosas da região são os que têm mais vítimas: Sumaré (SP), Americana (SP), Indaiatuba (SP) e Hortolândia (SP). Em contrapartida, Pedra Bela (SP), com 11 óbitos e população estimada em 6,1 mil moradores, tem a menor quantidade.

Pressão na saúde e alerta

Dados da Fundação Seade indicam que as internações diminuíram 14,7%, em uma semana, na área do Departamento Regional de Saúde (DRS-7), com sede em Campinas, mas que abrange 42 municípios. A taxa de ocupação em UTIs Covid-19 chega a 76,8%, enquanto os leitos de enfermaria estão em 57,6%.

Cidades da região, entretanto, continuam com a rede de saúde sob pressão para garantir assistência aos pacientes com Covid-19.

“Cometemos erros graves desde o início até hoje, dia após dia. Desprezamos a ciência, não testamos o suficiente, não isolamos como deveríamos, vacinamos a passos de tartaruga”, critica a médica infectologista Raquel Stucchi, da Unicamp.

O médico infectologista e professor da Faculdade de Medicina da PUC-Campinas André Giglio Bueno considera que a marca de 10 mil mortes é lamentável, reflete o país na crise e ele avalia que os números atuais de casos e mortes são preocupantes, embora o cenário seja melhor do que março.

“Com certeza é um número muito triste […] Os números atuais não são confortáveis, as taxas de ocupação estão em praticamente 100% [SUS], é inegável que tem uma queda de assistência e o sistema segue sobrecarregado”, diz ao ressaltar que os patamares são elevados, mas há tendência de redução nas próximas semanas com base em indicadores dos últimos dias. Para ele, os resultados dependem do comportamento dos moradores em eventuais flexibilizações e ritmo de imunização.

Vacinação

A campanha de vacinação contra a Covid-19 imunizou totalmente apenas 13,4% da população da região com dose única ou duas doses necessárias para garantir a proteção adequada contra a doença.

Evolução

As primeiras 1 mil vidas perdidas foram verificadas nos quatro primeiros meses da pandemia, em 2020. Depois disso, no intervalo de 40 dias, este número dobrou. O total de óbitos subiu para 3 mil em dezembro, enquanto que o indicador de 4 mil histórias interrompidas foi batido em 16 de fevereiro.

A região alcançou 5 mil mortes em 19 de março e, após 18 dias, superou os 6 mil em 5 de abril. Após 16 dias, chegou a 7 mil vítimas; enquanto o total de 8 mil óbitos foi registrado em 18 de maio. O total aumentou para 9 mil em 15 de junho e, após período de 22 dias, ultrapassa a marca de 10 mil.

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